Um Homem Versátil

QUEM CONHECE O PARAIBANO LEANDRO LIMA DOS DESFILES DAS PRINCIPAIS PASSARELAS DO MUNDO TALVEZ NÃO SAIBA ATÉ ONDE VAI A SUA PLURALIDADE. NO ELENCO DA SÉRIE “COISA MAIS LINDA”, DA NETFLIX, O ATOR CONTA DO PRECONCEITO QUE SOFREU QUANDO DECIDIU ATUAR E FALA DA RELAÇÃO COM A FILHA, QUE NASCEU QUANDO ELE TINHA 18 ANOS

Texto: Mariana Luchesi

 

 

 

 

Quem vê Leandro Lima talvez demore a perceber suas mil facetas. Ele, que já foi vocalista de banda de axé na época em que morava em João Pessoa, cidade onde nasceu, posa com a desenvoltura de quem sabe muito sobre a arte de modelar. Aqui, fala com orgulho da carreira que tem construído como ator. E não é para menos. Além de participações em novelas da Globo, ganhou papel de destaque na nova produção da Netflix, “Coisa mais linda”. Já na vida pessoal tem curtido ao lado da filha, Giulia, de 19 anos. “Às vezes é difícil diferenciar o amigo do pai”, comenta. Confira a entrevista:

 

 

P: “Coisa mais linda” foca bastante no feminismo dos anos 1950. Como você vê o movimento hoje em dia?

Acho muito legítimo e necessário. Sou nordestino, cresci em uma cultura machista. Antes eu ria de uma piada. Depois, passei a não tolerar e hoje intervenho. Quando dizem: “Essas feministas estão enchendo o saco”, eu respondo: “Muitas vezes para ser ouvida é preciso gritar”. Acho que em alguns momentos pode parecer exagero, mas lá na frente tudo vai se equalizar.

 

 

P: Sentiu algum preconceito na TV por ser modelo?

Sim. A gente tem mais dificuldade de se mostrar. Tem gente que se apega apenas à beleza física e deixa de se preparar. Hoje consegui provar o que sei fazer. Mas ainda perco papéis porque as pessoas dizem: “Queria um tipo mais comum, você tem um jeito muito de modelo”.

 

 

P: Como foi a transição da carreira musical para a de ator?

Vivi de música dos 16 aos 23. Minha filha foi criada com o dinheiro que eu ganhava com esse trabalho. Tive uma banda de axé e fazia muito sucesso. Já tinha vontade de ser ator, fiz um curso de formação na época. E aí, do nada, surgiu a oportunidade de ser modelo. Quando voltei ao Brasil fui fazer a Oficina de Atores da Globo.

 

 

P: Como é o Leandro pai? Você é muito ciumento?

Eu tinha 18 anos quando ela nasceu. Foi complicado, mas jovem também tem muita disposição. Dormia 3 horas por dia, porque tinha a banda e já trabalhava em agência. Quando comecei a modelar, a gente se afastou por um tempo. Recentemente ela veio para SP morar comigo. Às vezes é complicado diferenciar o amigo do pai. Ela acha que eu sou um brother dela. É difícil. Mas, ao mesmo tempo, nosso diálogo está cada vez melhor. Não sou ciumento, só tenho um cuidado.

 

 

 

 

 

P: Você namora a modelo Flávia Lucini desde 2011. Qual o segredo para um relacionamento duradouro?

Acho que o respeito e o fato de a gente ficar longe. Isso alimenta a saudade, não deixa ficar chato. Porque cada um vive uma coisa. Então temos sempre novidades para contar. Eu não sou um cara que goste de rotina. E a agenda da Flávia é sempre uma loucura.

 

 

P: Vocês pretendem ter filhos?

A gente fala nisso sempre, ainda mais agora que vemos vários amigos tendo filhos. Mas com a nossa agenda, fica difícil. Na hora em que estivermos em um lugar mais definido, com certeza.

 

 

P: Você se considera um cara vaidoso?

Já fui. Hoje me preocupo mais com a saúde. É uma vaidade consciente, que não é de ego. Todo mundo se sente bem em vestir uma coisa que considera legal. Mas é muito mais importante a nossa essência do que a beleza física.

 

 

P: Você tem algum ritual de beleza?

Tenho um de saúde que reflete nos cuidados de beleza. Meu dermatologista pega muito no meu pé, porque eu nunca usava protetor solar. Agora passo sempre e à noite lavo o rosto com sabão específico, porque antes eu usava qualquer um. Passo também um hidratante manipulado.

 

 

 

 

 

Revista Conexão C.Kamura #17

Fotos: Paulo Reis

Beleza: Evandro Angelo

Moda: Fernanda Ary